Regina Duarte, na campanha de 2002 provocou polêmica ao dizer que tinha "medo do Lula". O futuro mostrou que salvo uma mudançazinha aqui, outra ali, um bolsa-aqui, um bolsa-acolá, o governo Lula se transformou numa continuação do programa do governo de FH, aliás, muito mais democrático em termos de governo, pois o plano de FH não tinha a assinatura FH. E Regina virou caricatura com seu medo.
Já o do PT, como disse, continuísta em 90%, tinha uma impressão digital ( assinatura do Lula) e mais, no máximo, três: Pallocci, Dirceu e Dilma. Os dois primeiros foram afastados por corrupção. A terceira virou a xerife do espólio. E Lula deu sorte. Surfou num momento de tranquilidade financeira internacional e ao afastar os temores de investimentos no Brasil, ao adotar um discurso beócio-populista-moderado, tranquilizou. O Brasil estava com fundamentos da economia bem montadinhos depois do sufoco de janeiro de 1999 ( diga-se de passagem, alicerçado em cabeças com pouca afinidade ideológica como Malan, Fraga ( um capitalista de alta patente), Ciro Gomes ( memória curta a nossa, não) entre outros.
Lula, sem candidato, jogou na mesa Dilma. Uma técnica de gabinete, brilhante em planos, principalmente de assaltos. Aliás, o Planalto, com Dilma e Franklin Martins virou casa de asilo de ex-terroristas. Admiro a coragem deles de, nos anoas de chumbo, enfrentar o então Poder constituído. Mas coragem e inconformismo semi-juvenil não levam a muita coisa, como aliás, não levou, e na minha visão está longe de credenciar alguém para ser gestor público.
Dando um salto para 2010, vemos os institutos de pesquisa apontando a vitória da simpaticíssima Dilma ainda no primeiro turno. Relaxei e gozei. Afinal supositório geral, na pior das hipóteses, no dos outros é consolo. Eu me dou mal, mas relativamente não. Porque todo mundo se dá mal. É um consolo idiota, concordo. Mas leva à resignação, pelo menos.
Mas os nossos institutos de pesquisa são muito precisos, como se sabe, e a margem de tolerância se aplicou nos limites. Dilma para baixo, Serra para cima. Um improvável segundo turno então aconteceria. Isso se repetiu em outros estados. Noves fora os erros meio grosseiros, a fase agora era outra. A exposição da Dilma iria aumentar. Na mídia, em discursos, em debates.
Aí eu virei a Regina Duarte. Fiquei com medinho. Dilma é um factóide mal feito, mal preparado, intolerante, deselegante, e o PT, uma polícia partidária no melhor estilo Nazista.
Hoje, o candidato da oposição José Serra fazia campanha na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Nesta eleicão ainda não havia sido registrada nenhuma pancadaria entre correligionários de partidos diferentes. As caminhadas, os eventos de campanha, por mais ridículos e insípidos que sejam, não replicaram o encontro da torcida do Palmeiras e do Corinthians, ou do Vasco e do Flamengo na entrada no estádio, desandando em confusão, xingamentos e o mais baixo, de tudo, agressões físicas.
Pois bem. Serra caminhava num ambiente tenso, afinal, por vários motivos, a região tem miltância petista efetiva. Procurei explicações em Tropa de Elite 2. Tive surtos de epifania, mas o filme deixa vácuos, mas enfim, lá, sabe porque cargas d'água, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, há militância petista feroz, para usar adjetivo suave.
Bem, a certo ponto, o pau roncou na casa de Noca. Impossível atribuir a confusão a desavenças entre militantes do PSDB. Coincidência ou não, a militância petista entrou em cena, truculenta. Se a careca do Serra arranhou ou ele teve traumatismo craniano, é irrelevante. Trata-se de agressão a um candidato num estado democrático. Isso é inconcebível. Patrulhar campanha, provocar distúrbios e afins me parece um método chavista de praticar democracia, uma contradição em termos, óbvio.
Essa truculência denota medo. medo justifica muita coisa. A militância petista deve estar preocupada com uma derrota da Dilma. Como se sabe. O governo democrático do PT não passou de loteamento político de tudo. De empresas estatais, a ONGS, a escolha de fornecedores do Governo. Para os amigos, tudo. Para os inimigos, porrada.
E como tenho uma visão que acho que é maior que dois palmos além do meu próprio nariz, creio que um governo Dilma não mudará essa ação entre amigos e ainda por cima com um "amigão"de mãos dadas que é o balcão de negócios que atende pelo nome de PMDB.
O recrudescimento da campanha, a ponto de se sentar a porrada num candidato, mostra que a motivação não é ideológica. É de jogo de poder baixo, sórdido, de toma-lá-dá-cá.
E encarenei Regina Duarte de 2002. Estou com medo. Medo do patrulhamento, de reações adversas, de colocar gente no ostracismo por que "não é dos nossos", de boicote a órgãos de imprensa, do uso de outros órgãos de imprensa ( e poderia citar mas não quero ser leviano) para plantar notícias que desqualificam a oposição, enfim, da subversão no limite da legalidade e no extremo da cara-de-pau de princípios democráticos.
Meu período de ócio me permitiu um trabalhinho de reportagem. Nos Estados onde o PT ganhou o governo no primeiro turno, há temor. Principalmente onde há forte economia rural. No Rio Grande do Sul, o número de membros do MST praticamente dobrou em dois meses. Não devem estar lá para tomar chimarrão. Na Bahia, no oeste baiano, unhas são roídas, embora o Nordeste seja alvo pouco visado da milícia terrorista rural oficial subvencionada.
Deixemos de hipocrisia. O MST é o braço maoísta truculento da truculência do PT.
Não há espaço para isso hoje no Brasil. Vote em Dilma e alinhe-se a Evo Morales, e, principalmente Hugo Chávez, onde o nacionalismo legitima tudo. Até cacetada no candidato oposicionista.
Virei Regina Duarte versão 2010.
All the things I achieved in my life haven't been done by myself, exclusively. O owe a lot to my beloved friends. I've done a lot alone, but at the end of the day, people around made me better or worse. I can't write regularly without the help of my friends. They inspire me. I hope you all feel comfortable in this space.
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
domingo, 2 de agosto de 2009
Eu não sou a Regina Duarte !
Mas estou com medo.
Eu não sou, nem quero ser comparado à Regina Duarte. Na campanha das eleições de 2002, no horário reservado ao PSDB, ela disse que tinha medo do Lula. "Lula", no caso, me pareceu ser um pouco mais que o candidato. Ter medo do Lula deve ser coisa de quem tem mania de perseguição. Sozinho, Lula não mete medo em ninguém. Ele não sabe falar, mal sabe ler e deve escrever bisonhamente. Não deixará legado duradouro.
Por isso, não quero ser comparado à Regina Duarte.
Também não concordo com o partidarismo do "medo". Como não tenho medo do Lula, também não tenho medo do Serra, do Sarney, do Renan, do Garotinho, do Cabral, do FHC, do Stalin, do Hitler, do Saddam ou do Hugo Chávez, individualmente.
O que me dá medo é o aparelhamento do Estado com os quais todos estes, e mais umas várias dúzias que eu poderia citar, compactuaram. Sim, porque sozinhos nada teriam feito. O raciocínio pode ser explicitado por um fato histórico, notório e claro. O que seria de Hitler sem Goebbels e mais uma meia dúzia ?
Tenho amigos e conhecidos que vão de um extremo ao outro do espectro político. Conheço bem suas convicções e superficialmente as teorias que suportam estas convicções. Também não tenho medo da esquerda, da direita, do meio...
Por isso, por favor, não quero ser comparado à Regina Duarte.
Mas os fatos parecem querer me convencer de que devo ter medo.
Eu nunca vi tanto esforço conjunto para desmoronar as instituições como agora.
É coisa demais acontecendo ao mesmo tempo: crise no Senado, sem-vergonhice do Berlusconi, descrédito total do poder público estadual e municipal, cara-de-pau reincidente e grave do Lula, que ora defende ora se afasta das crises, Justiça com vísceras podres expostas, Polícia Federal fazendo investigação e divulgando aqui e acolá sabe-se lá porque, Igreja e igrejas completamente desnorteadas e temporais demais para quem almeja algo espiritual e, para acabar com toda a minha crença de que restou alguma coisa na qual eu possa repousar meus olhos e fazer uma leitura sem ter que abrir um caleidoscópio de inferências e ilações, escarafunchando entrelinhas e cruzando notícias aparentemente desconexas para formar uma idéia, a imprensa soçobrou. E feio. Não sobrou nada.
Não vou justificar meu ponto de vista com retrospectivas longas ou considerações profundas porque nem jornalista sou. Não acredito no PIG, nem no que venha a ser a sua oposição. Não tenho mais o menor respeito pelo Paulo Henrique Amorim, como também não tenho pela Míriam Leitão, que fique claro. Leio tudo o que posso e sou acometido de espanto, somente.
O fato recente, que mereceria repúdio coletivo da imprensa, fosse dos jornalões ditos membros do PIG, fosse das publicacões alinhadas com os partidos da "base aliada", é um desembargador conceder uma liminar para que um jornal pare de publicar gravações de investigações da Polícia Federal sobre um pessoal do Maranhão.
Isso não é de dar medo ?
Pouco importa como o jornal está obtendo as transcrições das gravações. Se for de forma ilícita, que se apure o ilícito. Pouco importa que o jornal esteja dando destaque às mesmas. Qualquer veículo de informação pode dar destaque à atuação do zagueiro do Arranca-Toco F.C., bem como ao último evento na Indonésia que vitimou umas três centenas de pessoas, pois a linha editorial do mesmo é, e deve ser sempre, independente. Leia-o e compre-o quem quiser.
Pouco importa também que seja o jornaleco do bairro ou o grande jornal de circulação paulistano-nacional.
É simples para mim. No estado de direito com garantias mínimas, qualquer um pode divulgar a notícia que bem entender, e que arque com as consequências de suas publicações. Mas não se deve impedir ninguém de divulgar nada. Das duas, uma: ou é verdade ou é calúnia. A ser apurado, após ter sido publicado ou dito, porque antes, para mim, é censura.
Mas vá lá que o tal jornal tenha extrapolado e mereça que a espada e a cegueira da Lei intercedam. Sabe o que me deixou com medo mesmo ? Foi ler muito pouco, ou nada, em outros grandes, ou pequenos jornais, sobre a tal liminar.
Se o resto da imprensa tolera, ou não combata, que um jornal, concorrente por sinal, seja impedido por liminar de publicar alguma coisa, trata-se de uma situação que pode ter diversas interpretacões, e Deus-me-livre-guarde de imaginá-las, porque já estou com muito medo.
Coincidentemente, o governo de Chávez, o da Venezuela, no mesmo dia do expediente do desembargador, fechou algumas dezenas de emissoras de rádio "não-bolivarianas".
Por favor, não quero ser comparado à Regina Duarte. Mas estou com medo.
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